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O choro do bebê no ocidente e no oriente…

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BABIES” Há extensa evidência científica de que o estilo ocidental de cuidar do bebê repetidamente e, provavelmente de forma perigosa, provoca uma violação no sistema adaptativo chamado CHORO que evoluiu para ajudar os bebês a comunicarem-se com os adultos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas estão acostumadas a crianças chorando em público. É aceito e até esperado que bebês em algum ponto da vida vão chorar por longos períodos. Como resultado, muitos adultos em transportes públicos passam longe de pais com crianças pequenas, para ficarem distantes antes de a choradeira começar. A situação é dramaticamente diferente em outras partes do mundo.

Até para um visitante esporádico, torna-se evidente que bebês fora da cultura ocidental raramente choram. Eu nunca vi um bebê na África ou em Bali chorando, durante as minhas muitas viagens a esses lugares. E esta observação é confirmada por pesquisas de pediatria relacionada à antropologia.

Num estudo comparando o total de choro entre bebês americanos, holandeses e da tribo !Kung San, Ronald Barr descobriu que os bebês nas 3 culturas choram com igual freqüência – ou seja, começam a choramingar o mesmo número de vezes por dia. Todos os bebês, independentemente da cultura, também produzem uma curva similar de choro (pico por volta dos 2 meses). Mas há uma dramática diferença na duração do choro nas diversas culturas. Bebês ocidentais berram por muito mais tempo em cada episódio de choro e o total de tempo gasto chorando a cada dia é maior tanto na Holanda quanto nos USA.

O pediatra Barry Brazelton descobriu que bebês da cultura Maya no México estão freqüentemente acordados mas calmos e não verificou períodos de choro intenso.

Num estudo com 160 bebês coreanos, um outro pesquisador descobriu que nenhum bebê foi classificado como tendo cólica, não houve pico de choro aos 2 meses de vida e aparentemente não houve choro excessivo no final da tarde. A amostra é intrigante porque os coreanos têm o mesmo nível sócio-econômico de outras nações desenvolvidas.

Bebês coreanos de 1 mês de vida passam somente 2 horas por dia, ou 8,3% do seu tempo, sozinhos. Em contraste, bebês americanos passam 67,5% do seu tempo sozinhos. Além disso, bebês coreanos são carregados no colo quase duas vezes mais diariamente que os bebês americanos. E as mães coreanas sempre respondem imediatamente ao choro do bebê, enquanto mães americanas tipicamente ignoram o choro do bebê por grande parte do tempo.

Em outro estudo, Bell e Ainsworth descobriram que mães americanas deliberadamente não respondem a 46% dos episódios de choro dos bebês durante os primeiros 3 meses de vida. Deduz-se que o estilo de cuidar dos coreanos leva o mérito pelo menor tempo de choro e a inexistência de cólica.

Os estudos mostram que, embora o choro por si só seja universal entre os bebês, a forma em que o choro se manisfesta não é inato, mas facilmente influenciado pelo meio.

A noção de que todos os bebês choram muito de noite é falsa. A crença de que cólica é o final de um volume normal de choro, que é algo inevitável, também é errônea. O choro é altamente influenciado pelo ambiente imediatamente em volta do bebê.

Por mais que seja difícil explicar a uma mãe americana insone e exausta, que está passando mais uma noite em claro embalando seu filho, o estilo de cuidar ocidental parece ser a raiz do desconforto do bebê. E a solução não está simplesmente na forma de embalar ou de alimentar a criança. Nem significa que uma mãe é melhor que a outra.

Novas pesquisas mostram que os bebês ocidentais tipicamente choram por mais tempo e até desenvolvem “cólica”, porque o estilo de cuidar que é culturalmente aceito é contraditório com a biologia infantil. Quando um bebê chora inconsolavelmente por horas, quando seu corpinho se arqueia em frustração, quando seus punhos dão socos no ar de raiva, vemos o exemplo mais claro de contradição entre biologia e cultura. O bebê está respondendo a um ambiente que foi culturalmente alterado e para o qual ele não está biologicamente adaptado.

O bebê é biologicamente adaptado a demandar um apego físico constante e um cuidado para o qual o bebê humano evoluiu milhões de anos atrás. Mas em algumas culturas, como nos países industrializados da Europa e da América do Norte, pais optam por uma relação mais independente com seus bebês. Eles decidem colocar os bebês em berços e em bebês-conforto ao invés de carregá-los consigo o tempo todo, alimentá-los em intervalos pré-determinados ao invés de sob demanda e responder mais lentamente aos seus sinais de desconforto. Embora esse estilo traga alguma liberdade aos pais, também traz um custo: um bebê chorão que não está biologicamente adaptado à modificação cultural.”

fonte:  livro “Our babies, ourselves” de Meredith F. Small. Capítulo: Crying across cultures:. Tradução de Flávia Mandic

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“made in china” com amor

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I_LOVE_made_in_china copyO que você faria se ficasse grávida na China?

Já havia passado essa pergunta pela minha cabeça, mas na hora que vimos o teste positivo tivemos que repensar nossa estratégia. Conversamos com amigos estrangeiros que tiveram bebês em Shanghai, verificamos as opções de hospitais locais e internacionais, visitamos alguns hospitais, fizemos as contas, fizemos alguns exames, analisamos as diferentes culturais, os prós e contras, pensamos, conversamos, lemos muitos. Vim grávida da China para o Brasil passar as férias e resolvemos que no final das férias decidiríamos onde teríamos nosso bebê. No final, no nosso caso, o emocional e a proximidade com a família foram os fatores decisivo e resolvemos ter a baby no Brasil!

Portanto, esse ano será diferente, bem diferente. Estando no Brasil ou na China a aventura continua…

marcas chinesas: ventilador huasheng (wahson)

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um dos icones de Shanghai nos anos 30, ventiladores Wahson (Huasheng)

um dos icones de Shanghai nos anos 30, ventiladores Wahson (Huasheng)

Yang Jichuan (杨济川) tinha 30 anos quando ocorreu a Revolução de 1911, onde revolucionários estabeleceram a República da China e assim dando um término ao antigo sistema imperial. Os ventos da revolução, os ares de anti imperialismo e patriotismo chinês inspiraram o jovem Yang  a desenvolver o primeiro ventilador elétrico da China. Nessa época, o mercado chinês de ventiladores era monopolizado pela gigante americana General Eletric. Yang trabalhava como gerente da fábrica americana e com a ajuda de livro técnicos e amigos, ele começou a desmontar ventiladores quebrados e assim aprender a tecnologia por trás da máquina。

Levou apenas 6 meses para fazer o seu primeiro ventilador elétrico e mais 2 anos para conseguir o dinheiro necessário para abrir sua empresa e assim em 1916 nasceu a Huasheng (华生), que significa “made in China” (hua= China, sheng=produzido), marca que refletia seu comprometimento em desenvolver e produzir produtos domésticamente.

Nos primeiros anos a empresa produziu alguns produtos elétricos mais simples e em 1994, finalmente eles produziram o primeiro lote de ventiladores. Com uma perfomance excelente, alta durabilidade e um charmoso design, o ventilador elétrico da Huasheng foi um sucesso instantâneo de mercado, rapidamente ultrapassando em vendas os ventiladores da General Eletrics (que chegou a fazer uma generosa proposta para comprar a Huasheng, mas que foi rejeitada a favor do orgulho de ser uma companhia genuinamente chinesa)

A Huasheng ganhou muitos simpatizantes famosos e não duvido que por décadas muitas pessoas se sentiram agradecidas por ter uma refrescante briza durante os verões impiedosos de Shanghai. (da mesma forma, sou grata ao inventor do ar condicionado, sem ele, não consigo imaginar como seria viver em Shanghai, impossível, hoje em dia nem ventilador da conta).

Yang Jichuan faleceu em 1952, mas sua empresa continua produzindo diversos tipos de ventiladores, aquecedores, e outros eletro eletrônicos. Eu particularmente sou fan do modelo antigo.

fonte: texto parcialmente traduzido do artigo da revista That’s Shanghai , “Shanghai Icons: Huasheng Fan”, por Adam Ji

projeto do carro do povo

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Uma engenheira chinesa fez a criação e a Volkswagen fez o sonho virar realidade. O Hover Car foi um dos 3 novos

conceitos escolhido pela empresa e exposto na Beijing Auto Show 2012.  Ele teve como ponto de partida uma ação na internet (“The People’s Car Project) que convida os internautas a colocar suas idéias sobre carros no futuro.

Com um design inovador, o carro de zero-emissão e que levita em campo eletromagnético (como o trem Maglev em Shanghai) poderá ser produzido no futuro ou não…rs…enquanto isso, podemos imaginar com o test drive feito por animação gráfica (clique na figura):

viagem especial: boracay

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Escolhemos ir para as Filipinas neste feriado especial. E a escolha não poderia ter sido melhor. 😉

Após um rápido pit-stop de três dias em Hong Kong para trabalhar, pegamos um voo direto para Kalibo, uma das cidades mais próximas de Boracay, nosso destino final. De Kalibo pegamos ainda uma van, um barco e depois um triciclo motorizado para chegar no hotel Casa Pilar Resort, que fica na Station 3 (no total há 3 stations, sendo que a 1 e a 3 são consideradas mais tranquilas) , na White Sand Beach da Ilha de Boracay. Chegamos a noite e portanto não dava para ter muita idéia da praia.  Entretanto, confesso que me assustei com o número de hotéis, pousadas, bares e restaurantes bem pertinho da praia, eu esperava um local bem mais rústico/tranquilo, a balada é forte. Também notamos que realmente os filipinos tem mais a ver com o ocidente do que com o oriente, pois diferente dos países asiáticos vizinhos, os 3 séculos de colonização espanhola deixou como herança a religião católica predominante e uma familiar atmosfera latina no local. (Pelo Tratado de Tordesilhas que dividia o mundo entre portugueses e espanhóis, as Filipinas caíram em mãos hispânicas).

No dia seguinte, acordamos afoitos para checar a White Sand Beach que realmente tem areias branquíssimas o que deixa a água do mar com um tom azul turquesa belíssimo! Os barcos com suas velas azuis ficam lindos no horizonte. O mergulho foi refrescante, nada como o mar e o sol para recarregar as energias.

Em um passeio de barco conhecemos a Puka Shell Beach. Nos apaixonamos por essa praia, pois estava sempre vazia, aguás transparentes e azul turquesa como a da White Sand Beach e um restaurante que servia o melhor suco de manga, com um peixinho e arroz de alho igualmente deliciosos. Para chegar lá precisávamos pegar um triciclo motorizado (uma moto com uma cabine aberta ao lado), e em cerca de 15 minutos estávamos no nosso paraíso.

A diária do hotel incluia café da manhã e quase sempre escolhíamos o café da manhã Filipino (adoramos comer como os locais): uma porção de carne fatiada (bife, porco ou peixe!), ovos mexidos, arroz com alho (!!), frutas e café/chá. Ou seja, já era praticamente um almoço rs.

Deixamos Boracay com dor no coração, nunca vamos esquecer esse mar azul-turquesa e a atmosfera “caribeña-filipina”.

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super feriado: feriado do “meio do outono” + “dia nacional”

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Neste ano, o feriado do meio-do-outono (Mid-Autumn Festival/Mooncake festival/中秋节-zhōngqiū jié) e o feriado Nacional China (国庆节-guóqìng jié ) caíram na sequência. Em anos passados, adorávamos sair pela noite em Hangzhou, ir a uma casa de chá afastada da cidade com amigos e ficar apreciando a grande Lua (esse é o dia em que a Lua está mais próxima da Terra), é um dos meus feriados chineses favoritos. No feriado nacional se comemora a fundação da nova China pelo MaoZeDong em 1945, e como o Ano Novo Chinês, também é considerado como “golden week” , pois praticamente temos uma semana de feriado.

Ao contrário do Ano Novo Chinês (Spring festival), em que a maior parte dos chineses volta para suas casas pois querem passar as festividades com a família, na golden-week do Dia Nacional, os chineses passeiam…agora imaginem o caos que fica…a regra é 1. ficar onde está e descansar ou 2.passear fora da China. Optamos pela segunda opção…

visita a Grande Fila da China

visita a Grande Fila da China

nem o paraíso de Sanya escapou…