Arquivo da categoria: cultura

viagem especial: boracay

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Escolhemos ir para as Filipinas neste feriado especial. E a escolha não poderia ter sido melhor. 😉

Após um rápido pit-stop de três dias em Hong Kong para trabalhar, pegamos um voo direto para Kalibo, uma das cidades mais próximas de Boracay, nosso destino final. De Kalibo pegamos ainda uma van, um barco e depois um triciclo motorizado para chegar no hotel Casa Pilar Resort, que fica na Station 3 (no total há 3 stations, sendo que a 1 e a 3 são consideradas mais tranquilas) , na White Sand Beach da Ilha de Boracay. Chegamos a noite e portanto não dava para ter muita idéia da praia.  Entretanto, confesso que me assustei com o número de hotéis, pousadas, bares e restaurantes bem pertinho da praia, eu esperava um local bem mais rústico/tranquilo, a balada é forte. Também notamos que realmente os filipinos tem mais a ver com o ocidente do que com o oriente, pois diferente dos países asiáticos vizinhos, os 3 séculos de colonização espanhola deixou como herança a religião católica predominante e uma familiar atmosfera latina no local. (Pelo Tratado de Tordesilhas que dividia o mundo entre portugueses e espanhóis, as Filipinas caíram em mãos hispânicas).

No dia seguinte, acordamos afoitos para checar a White Sand Beach que realmente tem areias branquíssimas o que deixa a água do mar com um tom azul turquesa belíssimo! Os barcos com suas velas azuis ficam lindos no horizonte. O mergulho foi refrescante, nada como o mar e o sol para recarregar as energias.

Em um passeio de barco conhecemos a Puka Shell Beach. Nos apaixonamos por essa praia, pois estava sempre vazia, aguás transparentes e azul turquesa como a da White Sand Beach e um restaurante que servia o melhor suco de manga, com um peixinho e arroz de alho igualmente deliciosos. Para chegar lá precisávamos pegar um triciclo motorizado (uma moto com uma cabine aberta ao lado), e em cerca de 15 minutos estávamos no nosso paraíso.

A diária do hotel incluia café da manhã e quase sempre escolhíamos o café da manhã Filipino (adoramos comer como os locais): uma porção de carne fatiada (bife, porco ou peixe!), ovos mexidos, arroz com alho (!!), frutas e café/chá. Ou seja, já era praticamente um almoço rs.

Deixamos Boracay com dor no coração, nunca vamos esquecer esse mar azul-turquesa e a atmosfera “caribeña-filipina”.

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super feriado: feriado do “meio do outono” + “dia nacional”

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Neste ano, o feriado do meio-do-outono (Mid-Autumn Festival/Mooncake festival/中秋节-zhōngqiū jié) e o feriado Nacional China (国庆节-guóqìng jié ) caíram na sequência. Em anos passados, adorávamos sair pela noite em Hangzhou, ir a uma casa de chá afastada da cidade com amigos e ficar apreciando a grande Lua (esse é o dia em que a Lua está mais próxima da Terra), é um dos meus feriados chineses favoritos. No feriado nacional se comemora a fundação da nova China pelo MaoZeDong em 1945, e como o Ano Novo Chinês, também é considerado como “golden week” , pois praticamente temos uma semana de feriado.

Ao contrário do Ano Novo Chinês (Spring festival), em que a maior parte dos chineses volta para suas casas pois querem passar as festividades com a família, na golden-week do Dia Nacional, os chineses passeiam…agora imaginem o caos que fica…a regra é 1. ficar onde está e descansar ou 2.passear fora da China. Optamos pela segunda opção…

visita a Grande Fila da China

visita a Grande Fila da China

nem o paraíso de Sanya escapou…

festival na tv chinesa

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A TV chinesa nos oferece mais de 40 canais abertos e existe uma grande facilidade de comprar DVDs e seriados “genéricos”, além claro da infinidade de programas disponíveis na internet. Entretanto, apesar dos mais de 40 canais disponíveis, somente 3 tem conteúdo em inglês que se salvam e o resto é tudo meio parecido, novelinhas românticas coreanas, novelas de guerra com Japão e/ou Kuomingtang e uma série de outros programas curiosos como óperas (orientais), música, programa de calouros em estilo japonês (com excesso de barulhinhos eletrônicos e remixes), programas de relacionamento e os telejornais (com conteúdo sempre restrito e controlado pelo vog). Mas de vez em quando, encontramos na TV chinesa documentários, filmes e transmissões de eventos que valem a pena assistir. Se quiserem saber mais sobre os programas da TV chinesa, posso fazer um post depois com as curiosidades..é só deixar um comentário pedindo 🙂

Nesta semana vimos a abertura do Festival Internacional de Cinema em Beijing. O evento começou com a chegada das celebridades no tapete vermelho (Zhang Ziyi, Andy Lau, Fan Bingbing, James Camerom etc), parecia ser a versão do Oscar chinês e resolvemos continuar assistindo quando…chamam uma autoridade governamental (tipo vice-secretário-executivo-do-departamento-revolucionário-nacional-de rádio-e-outros-meios-etc-e-tal) para o discurso de abertura, acabado o discurso típico chinês (longuinho, com oratória e conteúdo bem treinados), chamam outra autoridade governamental e ainda mais outra, afe, haja paciência, deu pena pois eles conseguiram deixaram com um ar de burocracia governamental um evento que tinha tudo para ser super artístico e cool.

Bom, mesmo assim, resolvemos dar uma chance para o evento. Segue o link de duas performances que gostei: a primeira é de uma dança com elementos budistas chamada 《千年千眼》-Qiānnián qiān yǎn (a sincronização de movimentos é incrível, levaram mais de um ano treinando) e o outro é de um cantor chinês, 刘欢 – Liú Huān, considerado o Rei do Pop Chinês, ele cantou 《天地在我心》– Tiandi Zai Wo Xin (algo como “o paraíso esta em meu coração). Ele pode não ser a beleza em pessoa, mas ganha em dobro em simpatia. Além de cantor é professor de Relações Internacionais e Música Ocidental, fala francês fluente, fez várias trilhas sonoras para filmes e novelas locais (a que eu acho mais engraçada é uma música de estilo kungfu, a《好汉歌》 – Hao Han Ge, traduzida como Canção dos Heróis e que as vezes cantamos no karaoque só para causar rs , sem os trajeitos do Liu Huan claro) e ainda cantou com a Sarah Brightman a música You and Me我和你–  na abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing em 2008.

Gente, será que meu gosto mudou muito? Ou será que só gosto porque consigo entender?? Não sei, ficam os links como curiosidades …

but it was just my imagination…

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Confesso que não sou muito boa para memorizar nomes de poetas chineses. Na tradição chinesa, muitas vezes a pessoa era identificada por mais de um nome (o nome de nascimento, o apelido, o nome da família, o nome oficial ou religioso e assim vai…além disso, os diferentes tipos transcrição fonética – pinyin, wade-giles- usados geram outras grafias do nome para os ocidentais), sem querer se estender muito (e já se estendendo), é complicado. Muitas vezes mal conseguimos entender os poemas em si, principalmente os mais antigos pois estão escritos em chinês antigo e formal, onde por vezes temos que usar mais que uma palavra ou até mesmo uma frase para traduzir o significado de um simples caractér na forma antiga. Mesmo assim, alguns poemas acabam tocando a gente de uma forma muito especial. Um dos meus preferidos é do antigo poeta taoísta 庄子-Zhuāng Zǐ (ou Zhuang Zhou, Chuang Tzŭ, Chuang Tsu etc)

O poema refere-se a uma experiência de Zhuangzi:

Numa tarde de primavera, Zhuangzi foi tirar uma soneca. Ele sonhou que ele era uma borboleta. Ele estava gostando de ser uma borboleta, voando livremente. Ele não estava consciente que estava sonhando e realmente acreditou que era uma borboleta. De repente, ele acordou e descobriu que ele era Zhuangzi. 
Ele refletiu muito sobre esse sonho e quando seus colegas perguntaram o que ele estava pensando, ele descreveu a experiência revelando então que ele não sabia mais se ele era o Zhuangzi que sonhou ser uma borboleta ou uma borboleta que sonhou que era Zhuang Zi. E que mesmo toda aquela conversar com os amigos poderia ser parte do sonho da borboleta sonhando que era Zhuang Zi. No final não havia nada que eles pudessem fazer para ajudá-lo a identificar a diferença entre Zhuang Zi e a borboleta. Uma questão de existência.

E é assim, com uma simplicidade incrível, que o poeta-filósofo aborda o complexo e profundo mundo inconsciente da mente humana, nossa imaginação. Seja ele pensando que é Zhuangzi sonhando que é uma borboleta ou uma borboleta sonhando que é Zhuangzi, não importa, o mundo “real” é aquilo que  imaginamos na nossa mente. Tudo depende das nosssas percepções pessoais e da leitura que fazemos de algo. Da mesma forma, a percepção de felicidade, tristeza, tragédia, sucesso, bonito, chato etc etc vai variar de pessoa para pessoa, no final, cada um de nós coloca o peso que quiser nos nossos pensamentos.

Hora de dormir..sonhar…ou acordar?

chinês, coreano ou japonês?

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Depois de algum tempo vivendo na Ásia, a gente começa a identificar mais facilmente se a pessoa, comida, roupa, gesto é chinês, coreano, japonês ou de outra região próxima. Não é fácil descrever um oriental, temos sempre que pensar além da descrição básica “cabelo preto, liso, pele amarela e olhos pretos e puxados”. Mas com o tempo, a gente incluí novas caracteristicas como identificar se o chinês veio do sul ou do norte (chineses do sul tendem a serem mais magros e não muito altos e os do norte geralmente são mais fortinhos, mais altos). O estilo de roupa também ajuda bastante; neste quesito japoneses e coreano são mais moderninhos e ousados. Dentro da China também conseguimos identificar de que região é a pessoa pelo sotaque do mandarim que ela fala.

O livro “Korea Unmasked” , do cartonista coreano Won-bok RHIE é um dos que retrata de forma simples, concisa e bem humorada as principais diferenças de crenças, valores e atitudes dos chineses, coreano e japoneses. Segundo ele, dentre todos os países, não há vizinhos tão diferentes quanto China, Coréia e Japão. Referências como esta nos ajuda a entender melhor a sociedade em que vivemos e a apurar nossas percepções dessas culturas que em um primeiro momento parecem tão similares para a maior parte dos ocidentais, mas que a fundo trazem características completamente diferentes.

fonte: Won-bok Rhie.”Korea Unmasked: in search of the country, the society and the people”. Gimm-Young Publishers, Inc 2002